Apertem os Cintos: O Copiloto Sumiu? O impacto da dupla função na segurança e saúde do motorista de ônibus e na qualidade dos serviços do transporte coletivo urbano e metropolitano de Belo Horizonte

Período: O projeto foi publicado em 2023. O projeto de pesquisa que o originou iniciou-se em 2019, foi interrompido pela pandemia de Covid-19 e retomado em 2022.

O projeto tratou-se de uma Análise Ergonômica das condições de trabalho dos motoristas de ônibus de Belo Horizonte e Região Metropolitana (RMBH). O foco é o impacto da dupla função (motorista e cobrador) na segurança e saúde do motorista e na qualidade do serviço. A pesquisa utilizou a ergonomia da atividade para mapear situações críticas, cargas de trabalho física, cognitiva e emocional, e propor recomendações. A conclusão é que o sistema de trabalho com o cobrador funcionava como um sistema sociotécnico complexo de copilote que foi desestabilizado, gerando sobrecargas específicas ao motorista.

Objetivos

Objetivo do Projeto

  • Realizar uma Análise Ergonômica das condições de trabalho dos motoristas de ônibus de Belo Horizonte e RMBH.
  • Focar nas condições materiais, organizacionais e na carga de trabalho (física, cognitiva e emocional) relacionadas ao exercício da dupla função.

Objetivo do Projeto/Recomendações

  • Discutir e promover a implantação de propostas de melhorias para oferecer um transporte coletivo urbano que expresse o trabalho digno, preserve a saúde e segurança e seja uma expressão da cidadania de motoristas e passageiros.
  • Formular recomendações técnicas para reorganizar o novo sistema sociotécnico centrado apenas no motorista.

Resultados Produzidos

A pesquisa resultou na produção de:

  • Este livro.
  • Um relatório final de pesquisa.
  • Um relatório executivo.
  • Uma cartilha com recomendações técnicas.

Principais Achados 

  • Sobrecarga Funcional: A dupla função incrementou atribuições como cobrar passagem, dar troco, liberar catraca e operar o elevador, tarefas que antes eram realizadas ou apoiadas pelo cobrador.
  • Pressão e Organização do Trabalho: O tempo de viagem prescrito não foi alterado após a retirada dos cobradores, gerando sobrecarga física e psicológica. A telemetria impõe limites por vezes incompatíveis com a realidade da condução.
  • Efeitos na Saúde: Sintomas de desgaste físico (dores na coluna, hérnia, cansaço visual, problemas renais) e mental/emocional (má qualidade do sono, estresse, afastamentos por questões psíquicas) são relatados.
  • Instrumentos e Segurança: Os ônibus (motor dianteiro, câmbio manual) e o posto de trabalho apresentavam problemas ergonômicos (bancos inadequados, ruído, calor) e falhas de visibilidade, aumentando o risco de acidentes e conflitos com passageiros.
  • Atividades Desenvolvidas: A pesquisa se deu por meio da Análise Ergonômica da Atividade com observações in loco, entrevistas e oficinas de validação com motoristas e agentes de bordo.

Publicações

O projeto previu a produção de:

Um artigo científico, a ser submetido para publicação com versão em português e inglês.

Envolvidos

Autores/Pesquisadores

  • Eugênio Paceli Hatem Diniz – Fundacentro – MG.
  • Francisco de Paula Antunes Lima – UFMG.
  • Marcelle La Guardia Lara de Castro – UFMG/FCO.
  • Samira Nagem Lima – UFMG/FCO.
  • Adson Eduardo Resende – UFMG.

Instituições de Execução

  • Escola de Engenharia da UFMG, Departamento de Engenharia de Produção, Laboratório de Ergonomia.
  • Fundação Christiano Ottoni (FCO).
  • FUNDACENTRO – MG.

Financiamento e Colaboração

  • Recursos Concedidos Por: Ministério Público do Trabalho em Minas Gerais (MPT-MG) – $3^{\circ}$ Região.
  • Parceiro na Pesquisa: Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários de Belo Horizonte e Região (STTRBH).

Projetos e Instituições parceiras